sábado, 10 de março de 2012


Ah! Manoel

Tudo que não existe é mais bonito
Desde pequeno tenho a esquisitice de desarranjar as coisas de propósito.
Um quintal desarranjado fica maior,
fica do tamanho do mundo.
Sempre que o pai falava que íamos mudar de casa, de cidade,
eu tratava de juntar meu desarranjo pra juntar com o próximo quintal.
E o mundo ficava cada vez maior dentro da minha cachola.
Assim a solidão do abandono ficava com peso de pena de pardal
e o novo quintal ficava agigantado.
Nenhuma idéia era absurdidade que não desse pra ser verdade.
Nem idéia árvore, nem idéia passarinho, nem idéia nuvem nem idéia bicho,
porque passarinho nunca foi bicho, nem no desarranjo do meu quintal.
Vivia num mundo só meu, desinventado.
Nesse mundo nada podia ser comprovado.
Nem mesmo a mentira

Esse texto é uma muito pequena homenagem ao poeta maior Manoel de Barros.Conheça O poeta em:http://www.releituras.com/manoeldebarros_menu.asp

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