Ah! Manoel
Tudo que não existe é mais bonito
Desde pequeno tenho a esquisitice de desarranjar as coisas
de propósito.
Um quintal desarranjado fica maior,
fica do tamanho do mundo.
Sempre que o pai falava que íamos mudar de casa, de cidade,
eu tratava de juntar meu desarranjo pra juntar com o próximo
quintal.
E o mundo ficava cada vez maior dentro da minha cachola.
Assim a solidão do abandono ficava com peso de pena de
pardal
e o novo quintal ficava agigantado.
Nenhuma idéia era absurdidade que não desse pra ser verdade.
Nem idéia árvore, nem idéia passarinho, nem idéia nuvem nem
idéia bicho,
porque passarinho nunca foi bicho, nem no desarranjo do meu
quintal.
Vivia num mundo só meu, desinventado.
Nesse mundo nada podia ser comprovado.
Nem mesmo a mentira
Esse texto é uma muito pequena homenagem ao poeta maior Manoel de Barros.Conheça O poeta em:http://www.releituras.com/manoeldebarros_menu.asp

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